Tendências Logísticas para um Mundo em Crise



De acordo com as inúmeras leituras que faço do mercado, ao longo de um ano de grandes transformações consigo destacar cinco riscos que podem ser rastreados para empresas que buscam ajudar suas operações da cadeia de suprimentos a se recuperar em 2021 e 2022.

Tenho observado que alguns líderes já conseguem navegar neste ambiente de negócios incertos, criando oportunidades dentro de suas cadeia de suprimentos

A primeira tendência é um movimento em direção a cadeias de abastecimento enxutas e localizadas, uma vez que a pandemia reacendeu debates antigos sobre iniciativas de near-shoring e re-shoring.

Durante a crise, a dependência excessiva das instalações de manufatura e redes de fornecedores de um único país - principalmente a China - exacerbou o impacto das interrupções regionais nas empresas globais. Em reação, muitas empresas estão pensando em mover sua produção de componentes críticos para reduzir o tamanho e a concentração dos riscos da cadeia de suprimentos.

A segunda tendência é o aumento das falências e insolvências entre fornecedores menores e mais especializados.

Embora tenha observado que governos em todo o mundo tenham facilitado questões regulatórias e fiscais para empresas duramente atingidas pelos impactos da pandemia, tais governos podem em breve retornar aos regulamentos padrão, principalmente com o início da vacinação e nos locais onde houver maior controle do vírus - o que, infelizmente, não parece ser o caso do Brasil.

O resultado, então, seria um aumento nas insolvências durante 2021, focado na América do Norte, Europa Central e Oriental, América Latina e Europa Ocidental,

O número três na lista de tendências é um aumento contínuo de ataques cibernéticos a locais de produção e operadores de logística.

Acompanhando relatórios de segurança da informação, observa-se substancial aumento de ataques cibernéticos relatados em 2021, incluindo ameaças como violações de dados, ransomware e vulnerabilidades operacionais. Isso já era esperado, mas os alvos e meios dos ataques evoluíram em resposta às circunstâncias geopolíticas e econômicas de 2020. A pandemia trouxe as vulnerabilidades das cadeias de abastecimento globais para um foco renovado, em alvos suscetíveis como operadores de transporte marítimo e o setor de saúde.

Há, ainda, em tempos de home office, aumento a ataques a redes domésticas usadas por altos executivos. E foram raras as empresas que no início da quarentena observaram tais riscos de invasões a redes domésticas, uma vez que estavam habituadas a seus robustos sistemas de segurança.

No número quatro, coloco as restrições persistentes à carga aérea que continuarão a causar efeitos em cascata em todas as cadeias de abastecimento.

A capacidade em algumas rotas comerciais caiu mais de 50% durante a fase inicial de bloqueios no primeiro semestre de 2020, uma vez que as aeronaves de passageiros em solo retiraram do mercado a capacidade de “carga de barriga”. Embora um aumento no número de aeronaves cargueiras dedicadas voando sem passageiros tenha compensado parte da diferença, o declínio da capacidade fez com que a demanda excedesse em muito a oferta e tenha levado as taxas de carga aérea a picos recordes.

Destaco como quinta tendência o uso crescente de soluções multimodais.

Devido à reduzida capacidade de carga aérea e à contínua escassez de contêineres na logística marítima e ferroviária, as organizações não podem contar com as rotas comerciais atuais para manter estocadas suas cadeias de suprimentos just-in-time (JIT), fato este que expus em recente artigo. Em resposta, as grandes empresas começaram a explorar opções alternativas de remessa, em particular nas principais rotas comerciais que conectam destinos entre a Ásia, Europa e América do Norte. Esta decisão foi motivada menos por questões de custo e mais pela necessidade de serviços confiáveis, como pode ser testemunhado por estatísticas como o número de trens conectando a China e a Europa onde se observa um aumento de mais 40% em comparação a 2019, segundo a consultoria McKinsey.

Todos estes aspectos precisam ser cada vez mais estudado e aprimorados; afinal, não se pode manter o negacionismo empresarial. O mundo mudou e os executivos de logística estão direcionando sua energia e recursos para atender a novas e crescentes expectativas. A ideia é que, para competir neste mundo centrado no consumidor, as empresas terão que adotar tecnologias que não apenas forneçam eficiência, mas visibilidade em tempo real para atender às crescentes expectativas dos clientes.

Será que as análises de riscos se tornarão oportunidades para quem entender isso de forma mais rápida?

Eu acredito que sim.

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